// experimento · repertório
Grito de Alerta
Gonzaguinha e Maria Bethânia · 1979
Grito de Alerta cruza as duas gravações de 1979, de Gonzaguinha e Maria Bethânia, num curta sobre um casal, uma noite e uma criança que salva a família.
Grito de Alerta teve duas gravações marcantes em 1979, a de Gonzaguinha e a de Maria Bethânia. Nós as cruzamos pela primeira vez numa casa só, numa noite só, num curta de três minutos. A montagem obedece à música: quando canta a voz dele, o filme está na mesa da cozinha, com o casal e um copo cheio; quando entra a voz dela, a câmera desce para o quarto das crianças, a trinta centímetros do chão.
O copo é o relógio do filme, e nenhum adulto o toca. No clímax, uma menina de sete anos sai de debaixo da cama, atravessa o corredor e tapa a boca do copo com a mão pequena. É a preservação da família pelo gesto de quem tem menos poder e mais ama. Nasceu de uma confissão pessoal do diretor e virou uma carta sobre proteger o que se ama.
O que testamos
Colocar dois personagens no mesmo quadro de forma consistente, algo que exige muito da recriação de rostos. E uma escolha de montagem para proteger e ao mesmo tempo tensionar: a criança e a ameaça nunca dividem o mesmo plano, o medo se constrói no corte.
O que aprendemos
Uma única virada de luz vale mais que fotografia bonita o filme inteiro. Todo o curta vive numa noite de tungstênio; a luz dourada só aparece no último quadro, como o amanhecer que anuncia que a família sobreviveu.
Estética
Cinema brasileiro dos anos 70, luz de tungstênio
Música
Gonzaguinha e Maria Bethânia
Ano da canção
1979
Formato
Curta de ~3 minutos
Direção
Endrigo Almada